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No interior do corpo Imprimir E-mail

Michel Capeletti

Qual é a pergunta? Onde está a questão? Me coloco agora no exercício de escrever sobre minha trajetória tentando entender o que tem me movido e o porque de algumas escolhas até agora. Mais que uma análise de currículo, quero falar do lugar onde as informações e experiências que já tive se confundem e se esclarecem. Falar do meu corpo agora é minha única possibilidade. A impressão que eu tenho é que todos esses desejos, que toda essa trajetória corre por dentro do meu corpo. Gostaria que minhas palavras pudessem ser vistas, que todo o diálogo que existe entre a parte de trás do meu joelho, a pressão que move meu pubis e todos os bilhões de coisas que escorrem das minhas pernas para o meu quadril pudessem ser imaginadas por quem me vê dançando.

É sobre isso que posso falar agora. Esse é o meu interesse. Posso estar dançando muito e posso estar parado, muito quieto. Não importa mais o que eu faço. Importa o que eu ouço. Os milhões de sons. Importam todas as direções que meu corpo tem no espaço. Me importa o espaço e seus desenhos. Me importa o desenho da minha tibia sobre o meu pé. Uma coisa leva a outra e é isso que eu quero aprofundar, esse encadeamento de coisas belas e infinitas que estão dentro de mim.

Alexandra Dias

Emergência. Tantos interesses, tantas vontades, projetos, desejos, curiosidades, perguntas, possibilidades. Como organizar essa complexa rede de idéias em que as sinapses parecem levar tudo pra longe?

Novamente, a resposta parece estar no corpo. De certa forma, tudo parece convergir neste momento em que eu me percebo apenas corpo. Daí tudo faz sentido e as instruções parecem indicar apenas uma direção: eu mesma. Esse é o caso, mergulhar dentro de mim e de lá emergir, se chegar até o fundo, com a moeda dourada na mão.

Se em mim, meu corpo se manifesta como o principal meio a ser investigado, se as questões em torno do movimento definem minha formação e marcam minha trajetória como artista, então o “Instruções” veio para me virar do avesso, para me tirar de qualquer lugar de certeza, para renovar o interesse, para me permitir.

Nesse lugar pude me repartir novamente com o Michel e percebi o quão importantes são esses encontros, porque são poucos, mas imprescindíveis.

Jerri, Irion, Michel, André, Heloisa e agora Tatiana, vocês disseram os sim(s) mais importantes.

Estar envolvida com o material gráfico, figurino, cenário, produção, parece uma grande loucura, mas se tratando de mim e do “Instruções”, foi mais uma vez um momento de apostar nos desejos e transformá-los e vê-los em cena.

Tatiana da Rosa

Dançar é ter uma confiança estúpida no que sinto, no que imagino, é confiar que isso já é visibilidade, mesmo sabendo que esse visível se esvai, e que os sentindos nunca estarão garantidos para o outro. Esse outro é o público, é o meu colaborador, e, bem sabem os bailarinos, é aquele eu que no dia seguinte se frustra por não poder fixar uma sensação que havia lhe dado acesso a um movimento. Assim, a criação em dança implica numa consciência aguda - corporal, de relações de tranalho - de todos os sentidos de uma obra por parte de quem lhe dá corpo.

Foi para aprofundar relações de criação, nas quais se pudesse usufruir do diálogo orientado por conquistas compartilhadas que o ARTERIA - artistas de dança em colaboração foi criado em 2001 por vários autores que buscavam agregar trabalhos e diferentes iniciativas de produção. Na sua construção ocorreu a aproximação entre o PROJETO MAX  e eu, principalmenete através da Heloisa Gravina.

A criação de Instruções... foi marcada pela disponibilidade - conquistada nesse caminho - que nos presenteamos. Foram meses de longos encontros diários durante os quais foi possível se surpreender mais e mais uma vez com o que parecia óbvio ganhando a evidência da carne. Isso frutificou nos encontros com o André Venzon a Lila e o Pablo. Mas é na solidão da cortina que se abre que cabe agora ao Michel e à Xanda bancar a confiança naquilo que já é.

 
 
INSTRUÇÕES] desdobramentos
INSTRUÇÕES] espetáculo
Diário de Pesquisa
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Tatiana da Rosa
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