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André Mubarack é um artista gaúcho residente em Paris desde 2005. Ator, dançarino e diretor, atualmente ele cursa o Master - Arts du Spectacle da Université Paris 8, no qual realiza uma pesquisa sobre a construção da dramaturgia de uma performance e as manifestações do universo fabulador do performer durante um processo criativo.
Paralelamente à sua formação de ator na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, André entra em contato com diferentes técnicas corporais que interferem de maneira importante em seu trabalho. Entre elas: yoga, mimo corpóreo (com Thomas Leabhart), contact improvisation (com Jordi Cortéz Molina), clown (com Ana Elvira Wuo e Philippe Gaulier), dança contemporânea e viewpoints (com Michael Stubblefield).
Se afastando pouco a pouco de um teatro "tradicional", André desenvolve formas de jogo e de composição cênica que destacam a expressividade da presença física do performer como produtora e condutora de uma dramaturgia.
Neste sentido, em 2003 ele e outros artistas formam em Porto Alegre o PROJETO MAX, grupo que desenvolve uma pesquisa de linguagem coreográfica baseada nas particularidades do movimento de cada dançarino. Desde a sua formação o grupo recebeu importantes prêmios de financiamento municipais (FUMPROARTE/Porto Alegre) e nacionais (Funarte/Petrobras) para a produção de seus espetáculos de dança, além de produzir performances site specific e curta metragens.
Cruzando elementos de teatro físico, de dança contemporânea e de performance art, André Mubarack busca estratégias de afirmação do ator como artista, no sentido de criador de seu próprio trabalho.
umlugarparaandrem.blogspot.com
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Caminhando sobre o fogo
Caminhando sobre o fogo (Sur le chemin de feu) é uma performance desenvolvida no contexto de uma pesquisa acadêmica na Université Paris 8. Neste sentido, o momento de contato e de troca com o espectador é essencial para a continuidade da pesquisa, como um meio de colocar à prova as opções dramatúrgicas experimentadas durante o processo de criação. A performance foi apresentada em Porto Alegre, em setembro de 2007, no Departamento de Arte Dramática da UFRGS e, nesta perspectiva, continuamos buscando novas oportunidades de ampliar os horizontes deste trabalho, colocando-o em relação às pesquisas de outros artistas e diante de um público exigente no plano artístico.
Encontrar os caminhos do corpo para materializar o imaginário do dançarino... Transformar e se deixar transformar pelo espaço, o tempo e o movimento... Construir uma dramaturgia/coreografia baseada nos estados sensíveis experimentados pelo artista no presente da cena...
Caminhando sobre o fogo é uma performance na qual as imagens criadas pelo artista desfilam em cena como paisagens. Sem passado nem futuro, cada instante pode ser carregado de uma força mitológica que ultrapassa o "contar uma história" para chegar a algo mais profundo e humano. Assim, este trabalho conta com o engajamento do performer em admitir e revelar suas interrogações, obsessões e suas percepções do mundo. Sua materialidade se encontra na presença física imediata do artista e nas relações que esta presença pode estabelecer entre todos os elementos da cena e o espectador.
Partindo de práticas corporais que melhoram as capacidades respiratórias, vocais, de relaxamento e concentração do intérprete, este trabalho é baseado em experimentações de movimento relacionadas a temas que formam o imaginário do bailarino. Entre outros estímulos deste dispositivo coreográfico encontram-se: o diário de viagem de Werner Herzog chamado Caminhando sobre o gelo; descrições de pantomimas grotescas de Valeska Gert e; a emissão radiofônica Para acabar com o julgamento de deus, de Antonin Artaud. Nós identificamos nossos próprios mecanismos de criação, nosso corpo em movimento e nossa história, aos discursos e ao universo destes artistas: marginais, rebeldes, visionários...
Caminhando sobre o fogo organiza interações entre fatos e sentimentos, permitindo ao espectador de encontrar seus próprios sentidos para cada acontecimento. O universo fabulador pessoal do dançarino, atravessado e mobilizado por estes elementos literários, pictóricos e sonoros, abre espaço para a construção de uma "trama" única de imagens cênicas de uma corporeidade ao mesmo tempo íntima e coletiva. Um jogo autobiográfico e ficcional no qual o performer evolui entre o fogo da memória vivida e da experiência da imaginação.
Em cena: uma cadeira, um prato cheio de leite e um ser que traça um caminho sutil entre suas técnicas e seu imaginário.
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